O pássaro da manhã


    Todos os dias eram as mesmas maravilhas que ofuscavam a simplicidade e a imensidão de sua vida. Mas ela nunca desanimava. Acordava sempre com a sua música favorita e com um sorriso levemente desenhado em seu rosto. Espreguiçava-se. Abria os olhos lentamente e sentia o dia. Se levantava no desenrolar da preguiça e da vontade de viver. E por mais inconsequente que fosse, apalpava o cabelo a fim de ajeitá-lo. Andava cambaleando em direção a janela, de meia, com passos de bailarina. Incansável rotina. Tudo igual, todos os dias. Os mesmos sentimentos. Como ela amava atravessar, de parede a parede, aquele quarto. Chegar à janela e abri-la. Deixar o sol fraco tocá-la, e então, permitir-se tocar no sol da manhã. Era a liberdade dizendo “Olá”, e a personalidade eclodindo para o mundo. Sempre. 

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